Tecnologia e proporção do esporte aumentam discussão sobre a profissionalização dos árbitros no Brasil

(Foto: Pixabay)

 

Um dos profissionais mais importantes em todas modalidades esportivas, o árbitro vem sendo muito questionado no Brasil, principalmente no futebol. A maioria deste profissionais tem mais de uma formação acadêmica e exerce a função de árbitro pela paixão, sem que alguma lei federal ou estadual o regularize.

Com a chegada do árbitro de vídeo (VAR) e os inúmeros erros que custam caro aos clubes, a discussão sobre a regulamentação do árbitro no país ganhou força, mas na prática nada foi feito de efetivo.

O educador físico Valmir Rocha, que trabalha há 13 anos como treinador, explica que o profissional vem sentindo os impactos do desprestígio dentro do jogo e que o sindicato da categoria não tem valor legal ou atuante no mercado esportivo.

“Mesmo existindo vários árbitros em todo o Brasil, a categoria é administrada regionalmente e sem aplicação de termos desenvolvidos por sindicatos. Com isso, a administração dos árbitros, infelizmente, ficam aos critérios das federações”, explica.

Rocha destaca que, atualmente, a estrutura dos eventos esportivos aumentaram, não apenas no Brasil, o que não permite e não concede espaço para amadorismo. Qualquer tipo de profissão, não apenas a arbitragem, precisa ser valorizada, mas aspectos dentro e fora de campo impedem este avanço.

“Geralmente, as responsabilidades em relação a arbitragem impedem esse acordo. Ou seja, os custos são destinados ao clubes, e sendo assim, as federações e as organizações administram apenas os lucros. Por isso esta briga sobre a regularização da arbitragem sempre emperra nesta cláusula, deixando sempre para depois”, diz.

Formação

Mesmo com a desvalorização da categoria, ser árbitro não é fácil e demanda custos. O educador explica que é necessário a paixão esportiva e o investimento em diversos cursos para que o árbitro possa atuar oficialmente. “Para se tornar árbitros devemos pagar cursos, nos filiamos às entidades específicas e, principalmente, torcer para que aqueles que escalam até um determinado lugar, deem oportunidades e tenham empatia”.

Rocha analisa que desburocratizar a profissão não é difícil. Ele compara nossa situação com os árbitros europeus.

“Eles já são profissionais reconhecidos na área e toda a estrutura já é montada para receber esses profissionais, o que os valoriza, e impõe a uma classe a aptidão de questionar quando possibilidades forem cortadas e burocracias acontecerem. A CBF estima um crescimento no mercado de futebol, mas sempre um crescimento focado na transação de jogadores. No Brasil, basta apenas destinar os custos aos que são de direto, e teremos a autoridade do árbitro cada vez mais empenhada”.

Desta forma, Rocha se mostra otimista com a nova geração de árbitros que estão surgindo, mesmo com a constante críticas à categoria. “Sabemos que no esporte sempre haverá um vencedor, mas infelizmente as pessoas não estão preparadas para aceitar que em uma disputa esportiva somos rivais e não inimigos, e que, se um jogador é contratado para fazer gols, outros são contratados para impedir”.

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